A taxa de etanol na gasolina vai subiu para 30% no Brasil. Estudos iniciais indicam que as motos (testadas entre 2004 e 2024) não precisam de adaptações, mas fabricantes pedem atenção.

Etanol na gasolina sobe para 30%
A partir deste o mês de agosto de 2025, o Brasil passou a adotar uma nova mistura de combustível nas bombas: a gasolina E30, que traz 30% de etanol anidro em sua composição. A mudança foi oficializada pela Lei do Combustível do Futuro (14.993/24), com o objetivo de impulsionar o uso de biocombustíveis e reduzir as emissões de carbono no país.
Antes da adoção definitiva da nova fórmula, o Ministério de Minas e Energia (MME) encomendou um estudo técnico para avaliar os impactos da nova taxa de etanol na gasolina em veículos leves e motocicletas. O estudo foi conduzido pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), e os resultados foram divulgados em março de 2025.
O objetivo foi entender se essa nova proporção de etanol poderia afetar o desempenho, a dirigibilidade e as emissões dos veículos, especialmente das motocicletas, que têm características técnicas e hábitos de uso diferentes dos carros.

O que foi testado com a nova gasolina E30?
Entre janeiro e fevereiro deste ano, o IMT avaliou 16 veículos leves e 13 motocicletas. As motos incluíam modelos com carburador e injeção eletrônica, fabricados entre 2004 e 2024, com cilindrada entre 100 cc e 600 cc — ou seja, uma amostra realista da frota nacional.
Os testes envolveram três tipos de mistura:
- E27, atualmente vendida nos postos (com 27% de etanol),
- E30, com 30% de etanol,
- E32, com 32% de etanol.
Foram realizados ensaios de partida a frio e a quente, desempenho em aceleração, retomadas, marcha lenta e também medições de emissões de gases poluentes. Os testes foram feitos em ambiente controlado, inclusive com câmaras frias a 0 °C, para simular o pior cenário possível para a partida dos motores.

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Etanol a 30% não deve mudar para as motos
Segundo o engenheiro Renato Romio, responsável técnico pelos testes no Instituto Mauá, “não muda nada para as motos” com a nova mistura E30. De acordo com ele, mesmo os modelos mais antigos e carburados não apresentaram falhas graves que impedissem a partida ou o funcionamento regular.
O estudo destacou que as motos carburadas apresentaram um pouco mais de dificuldade para ligar em baixas temperaturas, mas que essa limitação também foi observada com a gasolina atual, E27. Motos mais rodadas — com maior desgaste — também tiveram comportamento similar independentemente do tipo de combustível.
No entanto, quando a mistura passou para 32% de etanol, os testes mostraram maior dificuldade na partida a frio. Ainda assim, esse nível de etanol não será utilizado por enquanto. A mistura oficial permanece no limite de 30%, como definido pela nova legislação.

Fabricantes pedem atenção
Apesar da sinalização positiva do estudo, a Abraciclo, associação que representa os fabricantes de motocicletas, manifestou cautela. Segundo nota da entidade, os testes mostraram “pontos de atenção”, principalmente relacionados à partida a frio de algumas motocicletas com a mistura E32.
O diretor executivo da entidade, Sergio Oliveira, declarou: “Apoiamos essas iniciativas, mas nossa preocupação é com o consumidor”. Ele reforçou que, apesar dos aparentes bons resultados com a E30, é fundamental acompanhar o desempenho em uso real, principalmente entre usuários que rodam longas distâncias diariamente, como entregadores e mototaxistas.
A entidade também lembra que os testes duraram apenas dois meses e foram realizados em laboratório. Na prática, o desgaste natural dos componentes pode afetar o desempenho das motos ao longo do tempo.

E na prática, o que o motociclista pode esperar?
A principal conclusão é que não são necessárias adaptações nos motores com a nova gasolina E30. A recomendação, no entanto, é que o motociclista fique atento aos sinais da sua moto: dificuldade para ligar a frio, falhas na aceleração ou aumento no consumo podem ser indicativos de que alguma manutenção está pendente — verificar esse fatores, antes de culpar a taxa de etanol na gasolina.
Outra dica é seguir sempre o manual do fabricante, manter a manutenção em dia e abastecer em postos confiáveis. Como toda mudança, o ideal é acompanhar o desempenho do seu próprio veículo nos primeiros abastecimentos com a nova mistura.

A introdução da gasolina E30 com 30% de etanol na gasolina marca um novo passo da matriz energética brasileira. Se a nossa gasolina já não tinha uma boa fama, a nova mistura deverá piorar. Mas, ao que tudo indica os fabricantes nacionais estão se adaptando cada vez mais.
Vale lembrar que os testes aconteceram durante apenas 2 meses. Quem utiliza para trabalho, sabe que os desgastes acontecem com anos. Enfim, vamos torcer para que realmente não tenhamos problemas com mais esse aumento da proporção de etanol na gasolina.

