A Auper iniciou, com a PP Logística, testes da moto elétrica 600 CE em entregas por aplicativo na cidade de São Paulo. Quatro motociclistas se revezam em duas unidades, submetidas a até doze horas diárias de uso, com foco em desempenho, recarga e custos.
A Auper começou a testar a moto elétrica 600 CE em uma operação de entregas por aplicativo em São Paulo. A fase inicial do projeto é realizada em parceria com a PP Logística, empresa que atua no setor desde 2014.
O programa reúne quatro motociclistas, que fazem rodízio entre duas unidades do modelo. Os veículos são utilizados em condições reais de trabalho, em turnos que podem chegar a 12 horas diárias pelas ruas da capital paulista.

Segundo a empresa, a iniciativa integra uma série de avaliações de estresse feitas antes do início da comercialização da moto no Brasil. Os testes buscam medir o comportamento do veículo em uma rotina de alta utilização.


Uso intenso
A escolha do delivery como ambiente de teste está relacionada ao volume de profissionais que dependem da motocicleta para trabalhar. Dados do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, o Cebrap, apontam que mais de 455 mil pessoas atuam como entregadoras por aplicativo no país.
Levantamento citado pela Auper, realizado pelo iFood, indica que aproximadamente 70% desses profissionais usam a motocicleta como seu principal meio de transporte para executar as entregas.
Apesar dessa presença no setor, a participação de modelos elétricos no mercado brasileiro de motos ainda é reduzida. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, a Fenabrave, a mobilidade elétrica representa menos de 1% das vendas totais de motocicletas no país.

A Auper afirma que identifica uma lacuna entre o crescimento da micromobilidade e a disponibilidade de veículos elétricos voltados para uma rotina profissional prolongada. A empresa diz que a 600 CE foi projetada para quem utiliza duas rodas diariamente.
Para o CEO e cofundador da Auper, Silvio Rotilli, a validação junto a entregadores é necessária porque o veículo precisa atender às exigências práticas da atividade, incluindo horas seguidas de circulação e condições de segurança para o piloto.
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Autonomia, resposta e modos de condução
Um dos participantes do teste é Paulo Barbosa da Silva, conhecido como Paulinho. Ele trabalha há cerca de seis anos com entregas por aplicativo e costuma rodar entre dez e doze horas por dia na cidade de São Paulo.
Paulinho possui uma motocicleta a combustão para a rotina de trabalho, mas passou a usar a 600 CE durante o piloto. No período informado pela empresa, ele já havia conduzido a moto elétrica por 10 dias.

Na avaliação relatada à Auper, o entregador destacou a resposta da aceleração, a leveza nas ultrapassagens e nas reduções de velocidade. Ele atribuiu parte dessa percepção ao funcionamento do conjunto elétrico.
O motociclista também comparou o comportamento da 600 CE com outras motos elétricas que já havia utilizado. Segundo seu relato, esperava uma condução mais próxima à de scooters, com resposta menos imediata ao acelerador.
O modelo oferece modos de pilotagem, conforme as informações divulgadas. Paulinho afirmou que o modo econômico proporciona uma saída mais suave, enquanto a configuração esportiva apresenta uma resposta mais direta na aceleração.
Em um dia de circulação intensa, o entregador informou ter percorrido 100 quilômetros e utilizado 60% da carga da bateria. Depois, relatou que a moto recuperou quase toda a energia em 40 minutos de recarga.
Diferença nos gastos
Além da condução, o teste também considera os custos operacionais do veículo. Nas primeiras semanas de uso, Paulinho informou ter gasto, em média, R$ 15 por semana com a recarga da bateria da moto elétrica.
Segundo o relato, o valor é inferior aos cerca de R$ 240 semanais que ele gastava com gasolina na motocicleta a combustão utilizada anteriormente para realizar entregas por aplicativo.
A empresa também cita redução nas despesas de manutenção. De acordo com levantamento da Auper, a 600 CE pode diminuir esses custos em mais de 80% no mesmo período de comparação com uma moto convencional.

A explicação apresentada considera procedimentos recorrentes em veículos a combustão, como troca de óleo e revisões periódicas feitas após alguns milhares de quilômetros rodados. A fonte não detalhou o método do levantamento nem valores de manutenção.
Sobre o modelo
600 CE – Modelo de Base: aceleração de 0 a 100 km/h em 6,2 segundos, velocidade máxima de 140 km/h, torque de 8,1 Kgfm, potência de 25 kW (34 cv). Autonomia de 100 km.
Expansão gradual
O teste com a PP Logística é apresentado pela Auper como a primeira fase de uma expansão gradual que também deve contemplar entregadores. A companhia afirma que pretende usar os dados obtidos na atividade diária para orientar esse processo.
Rotilli declarou que o objetivo não é apenas ampliar a circulação de motos elétricas, mas avaliar o veículo junto a quem depende dele para trabalhar. A empresa diz que pretende escalar a iniciativa conforme a demanda em diferentes regiões do país.

A Auper se define como uma empresa brasileira de tecnologia e mobilidade urbana. Segundo a companhia, o desenvolvimento da moto inclui software e hardware próprios para oferecer controle do veículo, segurança e flexibilidade de uso.
Não foram divulgados preço da 600 CE, calendário de lançamento, número de unidades previstas para comercialização ou condições de venda ao público. As informações disponibilizadas pelas empresas se concentram na etapa de testes em São Paulo.

