Após décadas de trocas de controle e crises, a história da MV Agusta se renova sendo “devolvida” pela KTM e com planos de expansão técnica, desde o fim de 2025.
A MV Agusta encerrou em julho de 2025 mais um capítulo de sua trajetória empresarial, com o retorno oficial ao controle da Art of Mobility S.A., ligada à família russa Sardarov.
A mudança ocorreu após a saída da Pierer Mobility (atualmente Bajaj Mobility), controladora da KTM, que havia adquirido 25,1% em novembro de 2022 e assumido a gestão integral no ano seguinte.

Origem ligada à aviação no pós-guerra
A história da MV Agusta começa em janeiro de 1945, na Itália, fundada pelo Conde Domenico Agusta sob o nome Meccanica Verghera Agusta. A empresa surgiu como ramificação da Costruzioni Aeronautiche Giovanni Agusta S.A., fabricante de aeronaves próxima a Milão.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Itália foi proibida de produzir aviões. Diante do novo cenário, Domenico Agusta (filho de Giovanni Agusta – já no controle) direcionou a estrutura industrial para a fabricação de motocicletas, atendendo à necessidade de mobilidade em um país em reconstrução.

O primeiro protótipo utilizava motor monocilíndrico de 98 cm³ e foi montado com peças contrabandeadas, em razão da escassez de componentes no período. O modelo tinha estrutura tubular, rodas de 19 polegadas e tanque com as letras “M” e “V”.
Inicialmente batizada de “Vespa 98”, a moto teve o nome alterado para “MV 98” após disputa comercial com a Piaggio. A produção em série começou em 1946, com duas versões: uma com caixa de duas marchas e outra, de perfil mais esportivo, com três velocidades. Cerca de 50 unidades foram produzidas naquele primeiro ano.
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Foco nas pistas e expansão industrial
Desde os primeiros anos, a MV Agusta direcionou parte significativa de seus recursos para as competições. As vendas das motos de rua ajudavam a financiar o desenvolvimento das máquinas de corrida.
Em 1947, a marca participou de sua primeira prova oficial, com o piloto Franco Bertoni. A partir daí, consolidou presença no cenário esportivo internacional.

Na década de 1950, a empresa retomou atividades na aviação. Em 1955, adquiriu da norte-americana Bell os direitos de produção de helicópteros na Itália. O conhecimento técnico aplicado na fabricação de aeronaves passou a influenciar também o desenvolvimento das motocicletas, especialmente nas áreas de fundição, forjamento e usinagem.
Paralelamente, a companhia produziu caminhões leves e triciclos de carga, ampliando seu portfólio industrial. No segmento de duas rodas, os motores dois tempos evoluíram para atender principalmente regiões montanhosas do norte da Itália. Em 1952, foi lançado o MV Agusta 175, primeiro modelo quatro tempos da marca.

DNA esportivo e títulos mundiais
Nos anos seguintes, as versões esportivas ganharam protagonismo e ajudaram a definir o posicionamento da marca no mercado. A chamada posição de pilotagem “de sapo”, com pedaleiras recuadas e joelhos projetados para fora, tornou-se característica das motos da fabricante.
Em 1965, o piloto Giacomo Agostini venceu o Tourist Trophy com uma MV Agusta de 500 cm³ equipada com motor de quatro cilindros, um dos primeiros da marca nessa configuração.

Ao longo de sua trajetória com a equipe, Agostini conquistou 311 vitórias, 13 campeonatos mundiais e 18 títulos italianos. A MV Agusta acumulou 37 campeonatos mundiais de construtores.
Crise, encerramento e renascimento
Com a morte de Domenico Agusta, em 1971, a empresa enfrentou dificuldades financeiras crescentes. Após vender mais de 260 mil motocicletas ao longo de sua primeira fase, a fabricante deixou o mercado de motos em 1980.

O renascimento ocorreu na década de 1990. Claudio Castiglioni e seu irmão Giovanni, fundadores da Cagiva em 1978, demonstraram interesse na marca ainda nos anos 1980. A aquisição foi concluída apenas em 1992, permitindo a retomada das atividades no setor de motocicletas.
Na época, o grupo também controlava marcas como Ducati, Moto Morini e Husqvarna, além da operação italiana da Harley-Davidson. Em 1999, a MV Agusta tornou-se a principal marca do grupo, com Cagiva e Husqvarna assumindo papel subsidiário.
Mudanças de controle: da Harley à KTM
A partir dos anos 2000, novas crises financeiras resultaram em mudanças societárias sucessivas. Em 2008, a marca foi vendida à Harley-Davidson. Dois anos depois, em 2010, retornou ao controle da família Castiglioni.

Em 2018, a empresa passou para a família russa Sardarov. Em novembro de 2022, a Pierer Mobility, controladora da KTM, adquiriu participação de 25,1% na MV Agusta e assumiu o controle integral no ano seguinte.
A permanência sob a gestão da Pierer Mobility foi breve. Em 31 de janeiro, a KTM anunciou oficialmente a venda da marca. O processo foi concluído em julho de 2025, quando a propriedade retornou à Art of Mobility S.A., ligada à família Sardarov.
Novos projetos e perspectivas
Ao que tudo indica, aparentemente a MV Agusta atualmente parece ter conseguido se estabilizar.

Após a reorganização societária, a empresa anunciou o lançamento da Rush Titanio, modelo de luxo em edição limitada apresentado em janeiro de 2026.
Além disso, foi revelado o projeto de um motor de cinco cilindros, com potência estimada de até 240 cv. O motor foi um dos destaques do EICMA 2025, em novembro de 2025.

As informações indicam um momento de estabilização administrativa após anos de reestruturações. A produção segue concentrada na Itália, mantendo o foco em modelos de alto desempenho e séries limitadas.
No Brasil, o Grupo Lelis (Lelis MotoSport), de Campinas (SP), chegou a representar a marca em 2022. Mas ao que acompanhamos pelas redes, o grupo deixou a representação. Ficamos na expectativa, quem sabe com a nova estabilidade conquistada, a MV Agusta, volte ao mercado brasileiro.
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